Xicuembo (versão 3.0)

memórias & resmungos do Carlos Gil

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terça-feira, maio 24, 2005

África à procura de estabilidade

Do jornal moçambicano "Vertical" retiro este texto sobre a crise da Guiné-Bissau. Com leitura mais ampla, talvez com as primeiras linhas a remontarem à Conferência de Berlim, em mil oitocentos e troca o passo. Aí vai:
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ITAVE

KARIKO GUDJAGU

KUMBA DE BISSAU

A democracia ocidental não é um modelo exemplar para África. Este sistema de democracia ofusca as vontades e as tradições do povo africano. Os africanos podem usar o modelo democrático ocidental como materia para inovar a proposta da democracia que se pretende em África. (H.M.)

Em Bissau precisa-se de macumbas para reconcilhar os “kumbas”. É urgente afugentar os maus espiritos na Guiné de Amilcar Cabral. O povo da Guiné precisa de dirigentes saúdaveis e, não doentios e loucos filosofos. Como é sabido, o problema da Guiné-Bissau é estrutural. Quando se libertou a Guiné dos colonizadores portugueses, o conceito da nação não foi entendido, se houve projecto do Estado- Nação foi mal entendido até confudido com uma associação de etnias incipientes.
Desde 1886, durante o entendimento fronteriço entre Portugal e a França, os habitantes de então o território da Guiné Portuguesa não tiveram uma estrutura de nação, aliás isto pouco interessava ao colonizador. Este conflito prevalece até hoje. Na Guiné não existe o sentimento do Estado-Nação. O que se nota nesse território é a hegemonia étnica. Os lideres são ovacionados na base étnica. Há um paralelismo com aquilo que se passa nos países dos grandes lagos.
O sentimento étnico é tão forte nos dirigentes guineenses, por exemplo: nos ex- presidentes, Kumba Ialá e Nino Vieira, também associado pela ambição do poder. É intrigante por exemplo um ´Kumba´ quase com três títulos universitários que não consegue fazer a leitura real das preocupações do seu país, que no dia 15 do corrente mês anunciou a intenção de reassumir o poder, depois de o Supremo Tribunal ter decidido que a sua renúncia ao cargo de Presidente “não resultou de um acto de liberdade e de vontade”. Maquiavelcamente procura apoio da sua etnia, alegadamente para terminar o seu mandato depois da sua destituição do cargo de presidente, na seguência de um golpe do estado em 2003, aproveitando algumas incoerências da lei eleitoral que o albergou como um dos candidatos as presidenciais de 19 de Junho próximo. Um ´Nino´ derrubado em 1998 também por um golpe do estado, com ambição descabida, de viva voz em querer voltar ao poder na Guiné- Bissau.
O povo guineense deve escolher os seus dirigentes não na base étnica, mas sim pela competência dos seus melhores filhos. A África deve evitar “games” como da Guiné- Bissau. Deve haver ajuda a nivel continental, da CPLP ou regional na materia da legislação para melhorar as constituições dos paises, assim como para reformulações das leis eleitorais para o bem das democracias emergentes.

3 Comments:

Anonymous Alvarinho Castro said...

Caro Carlos Gil,

Por favor ver meu comment que o não é no post "malapata" de 10 de Maio.

Abraço

terça-feira, maio 24, 2005 10:21:00 da tarde  
Blogger Carlos Gil said...

Caro Alvarinho, vamos lá a ver se nos entendemos numa coisa: na altura devida agradeci o link e prometi retribuí-lo. Não como retribuição pura pois seria ousar demais pensar que os meus gostos de leitura alcançam os seus, nada disso. Pela razão de, quer na primeira visita quer em posteriores que fiz ao seu Malaposta, ter achado razões para tributá-lo, taxa modesta é certo mas com visitas de fiscalização sempre que o (pouco) tempo o permitir. Mas não sou mestre-de-obras nem carpinteiro de templates. Portanto, o seu link, a ser incluído como prometi e aqui reafirmo, se-lo-á quando... tiver que ser. O seu e mais outros, tal como outros serão reajustados em taxas, há até blogues que estavam inactivos e portanto em isenção de imposto e, pela sua qualidade recuperada, vão ser taxados de acordo. O link é um impulso, não uma obrigação.
Se me permite novo arrojo dou-lhe um conselho: não lige tanto a esta coisa dos links e das visitas, já vi que anda em complicadas manobras de contabilidade lá no seu canto. Por exemplo, eu desisti totalmente de contadores e semelhantes, quem vier vem por certo por bem e não me interessa donde provém nem quem é. Em ano e meio de bloganço (este já nem sei se é o Xicuembo 3 ou o 4) terei lido centenas e centenas de blogues, alguns seduziram-me mais que outros, mas nem a todos linkei. Vice-versa. Não se rale tanto Alvarinho, a coisa rola por si, e ou há sumo ou, simplesmente, o copo mostra-se vazio... não se enche com links.

Um abraço do Gil

terça-feira, maio 24, 2005 11:44:00 da tarde  
Blogger Castor said...

Caro Gil,
Esperemos que a Guiné venha a seguir a tendência, ainda pooco visivel, de estabelização do Continente Africano.
Segundo sei, na Guiné existe vontade de mudança, para além de um povo empreendedor, que se nota especialmente no género feminino.
Existem alguns projectos comunitários a decorrer muito motivadores e que nos dão esperança, num futuro melhor

terça-feira, maio 31, 2005 1:15:00 da tarde  

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