Xicuembo (versão 3.0)

memórias & resmungos do Carlos Gil

A minha fotografia
Nome:

carlosgil2006@gmail.com

segunda-feira, setembro 05, 2005

Etapas

Trago sempre comigo um caderno onde escrevo, escrevo, escrevo. Porque gosto de escrever à mão, porque os momentos mortos surgem quando e onde menos se espera, e também porque, esteja a fazer seja o que for, há uma parte do meu cérebro que ‘escreve’ continuamente e há que tentar registar o possível.

Os textos variam e a maior parte fica como ruínas de ideias que nasceram gloriosas e definharam ao virar da folha, contos inacabados ou delírios de pretensão filosófica. Por vezes, bastantes até, são reflexões íntimas, conversas comigo mesmo e em acta escrevinhadas.

Este sábado estava numa esplanada nos arredores de Lisboa aguardando uma amiga para jantar e, claro, o caderno não demorou a abrir-se sobre a mesa e, na passageira solidão, eu a abrir-me nele. Só foram nove linhas e meia pois ela chegou e surpreendeu-me perdido no quadriculado da folha, e antes de o guardar li-lhe o que tinha escrito. Porque confio nela. E porque ela sabe o conflito que vivo, eu e as linhas. Era disso que as nove e meia tratavam, abusivas nas dúvidas, excessivas no lamento. Disse ela. Pediu-me a caneta e dei-lhe um lápis, e escreveu: “censurado/apagado”.

A seguir falamos disso sabendo eu que naquele momento decidira largar este vício das quatro páginas, este culto da facilidade, e começar a escrever um texto digno doutro nome. Como se diz estou a “magicá-lo”, a cruzar e acasalar as tantas ‘quatro páginas’ que por aqui habitam inacabadas, estórias começadas e nunca terminadas. Tenho as personagens, faltando mascarar as reais para que delas não me venha especial incómodo ao sair de casa. O ambiente, os cenários? o mundo é vasto e se mesmo assim não chegar, imagino-o. Falta uma trama central que tudo ligue e lhe dê sentido, dando unidade ao tanto que, disperso, já tenho escrito.

Uma coisa eu sei: desta vez não será autobiográfico pois essa etapa iniciática já foi cumprida com o primeiro. Quero ficcionar a minha chamada ao quadro para fazer a prova real, quero melhorar a nota ou levar palmatoadas, saber se passo de classe ou abandono os estudos. Está e fica prometido.

5 Comments:

Blogger Madalena said...

lá estarei! Tenho a certeza que esta tudo pronto dentro de ti. A tua escrita vale a pena mesmo!!! Juro Xicuembo... beijinho

terça-feira, setembro 06, 2005 12:06:00 da manhã  
Blogger th said...

É, tens-nos dado rebuçados, mas queremos mais, queremos a produção toda da confeitaria...kuskas, a gulosa!

terça-feira, setembro 06, 2005 12:28:00 da manhã  
Blogger TMara said...

e nós esperamos e desejamos-te boas musas. Bjs e ;)

terça-feira, setembro 06, 2005 9:33:00 da manhã  
Anonymous IO said...

um beijo - outra que acha que vais conseguir.

terça-feira, setembro 06, 2005 9:52:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Ups!!! É assim que se fala. Força nas canetas, digo, nos pincéis, digo, nos patins... e deixa deslizar a imaginação desenhando quadros e estórias, com letras. Alguém que te quer bem.

terça-feira, setembro 06, 2005 11:24:00 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home

Fight Spam! Click Here!