Xicuembo (versão 3.0)

memórias & resmungos do Carlos Gil

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terça-feira, setembro 27, 2005

Sex on the road

Como deixei subentendido há uns posts atrás, troquei de 'Mulliner'. Este novo, senhor de confortos que já mereço e fonte de admirações inesgotáveis com as suas habilidades, possui ainda a faculdade de falar, em voz feminina e em língua (sua) pátrea, avisando-me de tudo o que (ela) entenda serem lapsos de segurança. Mas é melga porque tem um bug, e no pós imobilizado, ainda não estão percorridos trinta metros, lá vem avisar-me que a porta do condutor está mal fechada. Avisado do lapso (dela) pela anterior amante-condutora, deixei de testar o erro apontado mas nunca encontrado, e fico-me pelo rogar-lhe, baixinho, dumas certas pragas que podem ser ouvidas por senhoras. Principalmente quando estamos sós, e atendendo a que já somos bastante íntimos. A nossa intimidade já passa por tratá-la por 'tu', e chamo-lhe Telma. É imigrante portuguesa em França e trabalha em Billancourt, na fábrica donde saiu este 'Mulliner'.
Hoje, já com os nervos em franja com o raio da mulher que nunca mais se cala, escrevi este mail à antiga dona, pitinha que entregou-me o espada com mil recomendações e olhar saudoso, lagrimita mal escondida:
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"A Telma não se cala, raio da rapariga! ainda vou a ajeitar o sim-senhor à poltrona, corpo e espírito amainados e em linha de partida para gozo de luxos, e lá vem a chata da franciú mais a sua cantilena - ainda por cima aos berros! o que vale é que até ela já sabe que ninguém lhe liga, e repete, repete, repete porque nasceu assim, filha de curta e má programação.
Provavelmente até ela já está farta de se repetir sempre que a nave se alça às nuvens para flutuar acima dos outros, na sua superioridade RXE, mas por forma e feitio tem necessidade de se mostrar imigrante integrada e boa cidadã, preocupada com a segurança alheia - e também dela pois os vestidos de lata são bonitos mas, amarrotados, devem tornar-se incómodos e nem as pernas e outras peças reveladas deverão ser atractivas para quem tenha um nico a mais de sensibilidade que um bate-chapa cheio de taras por realizar, e facturas por preencher.
Enfim, a nossa convivência está difícil, e eu que sempre me achei um rapaz habilidoso no uso de línguas... Compenso a frustração daquilo que já chamo de 'os gritos histéricos da Telma' com a abstracção que a seguir pratico em volta da sua imagem e das imaginativas sevícias que me induz, assim que se cala, claro. Acaricio o volante, sinto a firmeza das suas ancas no traçado das curvas, lambo devagarinho o negro da estrada como se por ela deslizasse em busca de míticos prazeres, daqueles que se começam bem cedo a sonhar e que se vêm a descobrir na prática como exclusivos dessa matriz, a sonhada. Relaxo então o corpo pousando o cotovelo no seu ombro, sopro-lhe um beijo e pisco-lhe o olho, ouço-lhe o ronronar e julgo-me dela senhor e ditador, amo.
Assim fazemos amor, a Telma e eu, no silêncio daquela sala onde só se ouvem os sonhos e os murmúrios dos pneus que correm, correm sem descanso.
Ainda não alcançamos o êxtase, sendo que convém esclarecer que nem a moça é de velas frígidas nem o piloto tem aceleração precoce. Acontece que a vida não pára lá fora do nosso mundo privado, do cheiro dos cabedais e do conforto da climatização esmerada. Por vezes é necessário sairmos do nosso Castelo e penetrar-se no outro mundo, o vil mundo que fica além dos vidros eléctricos e da segurança do fecho centralizado de emoções. E aí, quando cumprida a penosa expedição e ao tapete de luxos se regressa, a magia do reencontro é quebrada porque ninguém é perfeito - nem sequer a Telma.
Porque insiste na redundância, na chateza do seu politicamente correcto, no bug da sua perfeição. E soa: 'la porte du conducter est mal fermé'. Mérde para ela, respondo-lhe pois j'être amené de force, entre o enfado e a cumplicidade já nascida em momentos íntimos de que mais não conto.
Subscreve-se um amante de tanto, mulheres e carros no primeiro bote"

9 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Como nao consigo responder em meu proprio blo' lol, aqui fica a resposta ao teu comentario:
1. estou de fe'rias;
2. Os posts devem ter cedilhas e acentos;
3. bolta e meia venho ao correio;
4. bou ao correio por postais;
5. depois vai a primeira no Quays;
6. Vi anteontem e ontem algo fabuloso, vai dar um post.
7. os dias que falatam para voltar a haver chuinga
8. BEIJO ao ranhoso do mangusso e tias lu e Erml.
Depois prometo ler a tua intervencao de sa'bado. Aqui nao que e' a pagar... - beijo, muf'

Ai, e o que gostei de ler Telma num destes posts!...sempre ela, tao boa tao amiga!

quarta-feira, setembro 28, 2005 12:05:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Se deduzo bem, arranjaste uma Telma irmã bilingue da minha. Só que a minha fala português escorreito e em tons quentes. E eu da minha Telma até gosto. Às vezes até abro um bocadinho a porta para a ouvir. Mas isso é quando a solidão aperta. Já não gosto de uma outra Telma, a que um meu sobrinho arranjou num carro que ele trouxe de Espanha - essa Telma é mais autoritária quando manda prender o "cinturone". Finalmente, tens um botãozinho na esquerda do tablier que é só dar um toque e a Telma perde logo o pio e já podes andar com as cinco portas abertas, o travão em baixo, sem ar nos pneus e o cinto desapertado que a Telma não abre boca. Não aconselho mas se ela se arma em gralha, podes calá-la em dois tempos. Os franceses têm tudo previsto - põem mulheres a falar mas também as calam num ápice. Abraço. João Tunes

quarta-feira, setembro 28, 2005 12:18:00 da tarde  
Blogger TMara said...

é o k se chama - pode chamar -um útil amor. Bj

quarta-feira, setembro 28, 2005 4:54:00 da tarde  
Blogger Henrique Santos said...

Uma vez mais aqui venho por a leitura mais em dia. Gilinho, continuo a gostar... e esta historieta lembrou-me uma...
Um abraço, do Ricky

quinta-feira, setembro 29, 2005 3:51:00 da tarde  
Blogger Luh said...

O que é uma Mulliner?

quinta-feira, setembro 29, 2005 10:09:00 da tarde  
Blogger Carlos Gil said...

...um Mulliner... o que é um Mulliner...: fecha os olhos e sente o corpo relaxar num sofá em couro, com massageador e aquecimento, até cócegas deverá fazer se pedires... e o Mulliner rola sem que sintas qualquer desconforto, máquina segura e silenciosa em que se tentes como na expressão 'salão rolante'...
Mulliner é o departamente de carroçadores que hoje trabalha com a Bentley para (ainda mais) personalizar e 'luxuarizar' (esiste??) o carro. Como a AMG na Mercedes os a Baviera na Bêéme, e antes também foi fornecedor regular da RR. A individualização do luxo, ainda mais se possível... com jeitinho e bem explicadinho, até te pôem um teclado no volante, para escreveres posts enquanto guias... lol

segunda-feira, outubro 17, 2005 1:54:00 da manhã  
Blogger Carlos Gil said...

Ricky e TMara: a Telma é gaja a que ainda não me habituei; já lhe cortei o pio como o João me ensinou, mas sempre que soa o apito lembro-me das cenas que ela me fazia e, durante dois ou três quarteirões está o caldo entornado. Esta franciú e eu ainda não consumámos a coisa lá como deve ser, ainda prtocuramos em caminhos nem sempre coincidentes o melhor caminho para o sex on the roda, tântrico (provoca-me ej precoce com os gritos e apitos, e isso é chato :-()

segunda-feira, outubro 17, 2005 1:57:00 da manhã  
Blogger Carlos Gil said...

João: esta tipa, versão farnci+u, é chata como o raio que a parta; acho que vou levá-la ao médico da caixa assim que puder, não vá habituar-me a uma parceria tão... tão... chata e esganiçada? grrrr
(lê o outro comment, já a calei mas agora... apita!)

segunda-feira, outubro 17, 2005 1:59:00 da manhã  
Blogger Carlos Gil said...

Mufana: a tua Telma está uma desgraça! dá-me vontade de apertar-lhe o pescoço para ela perder o pio! agora apita, acreditas???

segunda-feira, outubro 17, 2005 2:01:00 da manhã  

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