Xicuembo (versão 3.0)

memórias & resmungos do Carlos Gil

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sábado, abril 30, 2005

Apaguei um post

Porque há coisas que são importantes. Nós sabemo-lo

sexta-feira, abril 29, 2005

O XICUEMBO ESTÁ AÍ


XICUEMBO

Este post e os link's tributários à esquerda, serão devidamente editados pelo titular deste blog, logo que o ferreiro acabe de afiar o utensílio agrícola, ou seja, a enxada*.

Entretanto, os meus parabéns ao novo Escritor pelo "filho" que aí vem e cá fico a aguardar o "cocktail" de lançamento.
Jass


*do Lat. asciata < ascia, enxada
s. f., instrumento para cavar a terra;
Ou seja, o instrumento tecnologicamente mais avançado para o qual o titular deste blog devia ter autorização para mexer...
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Adenda minha (Carlos Gil):
Sobre o lançamento do meu livrinho: será em Junho, ainda sem data marcada. Tudo aponta para que seja em Lisboa, no espaço Galveias ao Campo Pequeno, e a apresentação será feita pelo Guilherme de Melo, jornalista e escritor luso-moçambicano que todos conhecemos, alguém que conhece as ruas e as pessoas de que 'falo', ama Moçambique, e escreve como poucos. Haverá teatralização duns sketchs extraídos do livro pelo grupo de teatro amador "Narizes Perfeitos", de Almeirim de que a minha Carla é participante mui empenhada. A editora é a Pé de Página, que tem tido uma paciência santa em aturar as minhas impaciências e que, há poucos dias atrás, brindou-me com um mail onde vinha esta maravilha de capa, perguntando-me muito inocentemente se gostava dela... se eu gostei? se eu gostei? Xiiiiiiiiiii.... adorei, e rezo para que as páginas sejam dignas de tão bonita apresentação. Parabéns 'criativos', o puto ficou mesmo com boa cara!

quinta-feira, abril 28, 2005

Portugal, o deserto é já aqui?

No jornal Público de hoje JPP tem uma excelente crónica, "Portugal a voo de pássaro" (link para site que só permite a leitura total do artigo a assinantes), que não hesito em recomendar. Sim, ele fala na falta de estruturas e na deformação de mentalidades, subversão de valores, etc, do desprezo pelo amanhã pela premência de 'parecer' hoje, outro etc, tudo cheio de verdades e também cheio demais duma ausência de dedos que apontem aos promotores da deformação, pelo menos coniventes porque primeiros beneficiários. Ok, provavelmente a velha truta conhece os males e sabe apontá-los mas conhece igualmente as grutas donde saíram e não lhe interessa mostrar esse caminho. Ok, ele até tem cartão de sócio do clube que governou Portugal quase vinte anos e, muito provavelmente, até tem as quotas em dia. O que lhe traz obrigações para com a sua colectividade, isso também entendo, pois ser sócio de cartão passado não é exactamente igual a ser simpatizante de cachecol quando dá jeito ou apetece. Entendo isso tudo.
Mesmo com essa omissão, causas, tiro o meu chapéu ao voo lúcido sobre o (triste) cenário das consequências. Meio caminho andado, reconhecer os erros?

quarta-feira, abril 27, 2005

Sobre a ironia e o nada, com curva no Alto Maé

Há pouco vinha no carro e escutava a entrevista do Carlos Vaz Magno, TSF, ao Luís Fernando Veríssimo, que eu não sabia também cartonista e músico de jazz, sax. Acabei por ficar mais um pouco à porta de casa e a aprender, coisas ditas que me fizeram sorrisos amarelos, algumas piscadelas de ter aprendido com o recado que quem é pode e sabe deixar. Se para aí calhar um dia, iremos rir juntos, eu e vocês, que eu e ele é mais difícil. Admiro imenso o LFVeríssimo e nunca li o pai. Claro que havia em minha casa o “Olhai os lírios do campo” pois em todas as casas que conhecia existia esse livro, ou da mãe ou da filha, ou da prima – ‘elas’ já então liam mais que ‘eles’, mas, que me lembre, nunca o li. Nessa época, talvez os meus catorze, quinze anos, ainda navegava muito nas histórias de expedições científicas, aventuras, devorava relatos de subidas a montes ou de expedições por selvas ou aos pólos, muita história baseada na segunda guerra mundial, e aprendia os primeiros nomes da ficção científica. De escritores brasileiros, nessa época, não recordo nenhum. Aliás, brasileiro, com essa idade, para além das toneladas de BD que de lá vinham, Recruta Zero, todos os Disney’s, etc, lia sempre a revista “4 Rodas”, que comprava na loja/bazar “monhé” em frente da paragem do machimbombo no largo do Alto Maé, essa mesma onde uma vez tentei ‘gamar’ uma revista de BD e fui apanhado, e estive meses em que a vergonha não me deixou lá voltar.

O que me trouxe à cadeira foi esta frase, sobre a ironia na crónica: “é terrível ter de explicar a piada”. E aqui estou eu, candidato a penitente por tantas inépcias que ora junto esta ao monte, a da ironia falhada. Recentemente tive uma situação dessas e acabei por desistir de explicar a grande ironia de que se vestia um comentário meu a um texto de blogue, e que para meu grande espanto não era compreendida. Por adverso e mau feitio põe-se a hipótese residual de, ele, texto, não tê-la, a dita; mas que soçobra quando o releio e não hesito: está lá, aqui, ali, olha ali, então!... não fui parco de saleiro e menos ainda no pimenteiro, leva laçarote e está mais que mui apresentável, a meu ver e com estes olhos suspeitos até o acho gargalhante… como é possível não ser assim lido, ó céus, ó graça dos ditos? O Luís Fernando Veríssimo conta que passou por alturas em que, precavido com tanta porrada injusta que levava a torto e a direito, em certas crónicas apetecia-lhe pôr um aviso no fim: “isto é ironia”. Eu, mais modesto e mais folgado na porrada que me prometem, encolho o teclado como se de ombros fosse, experimento as letras e encadeio-as, e até lhes dou uma borrifada de 8x4 se for preciso mas não abdico da minha ironia. E não explico a piada, não senhor, quanto mais a leio mais rio, ela está lá, a dita ironia, e sinto-me um injustiçado social por ela assim não ser reconhecida.

Bem, o LFVeríssimo falou de muitas coisas e nalgumas aprendi, como atrás contei. A parte em que mais corei foi quando o Magno lhe perguntou se, com tantos anos de coluna diária no jornal, havia sempre tema ou se por vezes a caneta só escrevia que não há nada para escrever, e a coisa compunha-se nesse nada que é tão grande que tudo permite. Ele riu-se e disse(-me) que esse truque era velho demais, já ninguém o utiliza. Olhei para o lado e assobiei, mais tarde veio a tal da ironia que me fez para aqui vir e, a palavras tantas, lá acabo por contar a parte corada da história. Que não é a da ironia, que, nessa, não cobiço mais que a farta que tenho, e não abdico de dizer a quem talvez um dia leia isto que sim, aquela porra estava e está cheia de ironia, da fina, até lhe colo autocolante comprovativo como ao outro apeteceu fazer, divisas à parte.

terça-feira, abril 26, 2005

O bilhete

Eram seis e tal da tarde e a noite caía embrulhada na chuva, que resistia naquele molha-tolos que não parava desde que as nuvens da manhã soltaram os primeiros pingos à hora do almoço. Atravessou a rua a correr, aproveitando a fila de carros que estava parada atrás do eléctrico que seguia o seu trilho interminável para lá da esquina., e entrou no prédio. A porta de mola metálica do elevador, umas escadas velhas, em madeira e com corrimão em ferro, as paredes orgulhosas do seu passado e fazendo lembrar cenário de filme antigo, histórias de crimes com detectives onde, em escadas assim, a mulher fatal troca beijos de traição e acelera desenlaces. Uma carpete gasta, puída no seu azul que fora marinho e o pó chamava de cinzento.

Viu logo a placa, veterana entre todas com um caixilho castanho numa bordadura discreta que ameniza o dourado gasto onde se lê o nome da firma, algumas letras já sumidas do seu negro formato. Recusou o elevador, longa torre que se ergue pelo prédio acima como se ele só existisse para a proteger ou esconder, as escadas como uma planta trepadeira que se lhe cola e a escala, e que ele foi subindo enquanto revia o que ali o levava, a sua missão. A mão procurou no interior do sobretudo o envelope e os dedos tocaram-no, tentando alisar as pontas amachucadas. Passou pelo primeiro andar onde uma lâmpada acesa sobre uma porta em vidro que diz “registos e patentes, documentação diversa” ilumina o vão fazendo as paredes ainda mais velhas ao expor as suas cicatrizes carentes de arranjo e pintura, e foi sob a sua deprimente luz amarela que alcançou o lance final para o segundo andar, seu destino. Ouviu o longo concerto de ruídos metálicos do elevador, o seu zunido irritante no silêncio das escadas, e interrogou-se se seria alguém a subir ou se teria sido chamado por alguém de cima. Nada de importante mas tudo o era quando estacou em frente à porta onde, no vidro martelado, se lia “tal & tal, contabilistas”, e pensou na sua missão. Vinha a pedido de Ofélia, quase que a seu mando, e a face dela não o enganara quando os seus lábios suplicaram pela urgência do recado.

Sacudiu das ombreiras do sobretudo os pingos que a bordavam em gotas brilhantes, e empurrou a meia-porta com o chapéu na mão. Raramente ali vinha e quando entrou o cenário era o mesmo de sempre, o grande balcão que ocupava toda a frente da divisão, ao fundo uma janela-porta, alta, por onde entrava a luz dos candeeiros da rua. Entre o balcão e os vidros onde a chuva insistia em bater, teimosa e insensível à sua barreira, duas secretárias com papéis apinhados, umas pastas de arquivo e uma grande máquina de calcular, conseguia ler-lhe o nome estilizado, ‘Remington’, com a perna fronteira do erre estendendo-se ao longo do resto do nome, assinatura dourada em contraste com o metálico negro baço do ferro onde a fina língua de papel que o rolo solta descai até morrer no soalho, em monte de contas e recontas. As cadeiras vazias, ninguém. As paredes da sala estão cobertas de estantes com grossos livros encadernados, e grandes caixas de cartão com o que parecem ser os documentos dos clientes pois todas têm um papel colado com o seu nome, e neles reconheceu a letra caligraficamente cuidada do Fernando. Tossiu de forma audível e ouviu-se um tap-tap de saltos altos, abriu-se a porta do lado esquerdo e uma rapariga elegante, cabelo castanho apanhado de lado com um gancho que não continha a rebeldia de um ou outro caracol, tudo a tornear uma cara bonita, lábios vermelhos e olhos de forte personalidade. Vestia um fato que lhe caía bem, num verde azeitona com as bandas do casaco e os punhos das mangas em bordeaux, grossos botões forrados na mesma cor deixando o último entrever o busto firme, e o vermelho que lhe subia dos lábios fê-lo ruborizar-se quando os seus olhos encontraram os dela, inquisidores, mais além do profissional e convenientemente agradável. Na escada o elevador parou de zunir e ouve-se outra vez o martelar metálico que o poço das escadas amplia. Ela sorriu e ele leu na pergunta “- que deseja?” a aprovação ao exame a que o submetera, e sorriu também, enquanto dizia boas-tardes e as sobrancelhas, contraídas inquisitoriamente, apontam para as secretárias vazias: “- olá… o Fernando…?”

A porta atrás abriu-se, também a mesma meia portada, e ele desligou-se dos olhos que prometiam mil feitiços e olhou a figura familiar do Fernando, magricelas para tanta gabardina, sempre o mesmo chapéu, sempre a mesma cara, os mesmos óculos. Vieram os abraços, ela sorriu e afastou-se para junto da janela revelando como a modista fora precisa e feliz nas medidas, acende um cigarro e olha o fumo que luta contra os vidros enevoados, nitidamente atenta à conversa que descaiu das trivialidades para a entrega do bilhete de Ofélia. Fernando leu-o e desmaiou. Mais tarde, quando as angústias amainaram via um lenço molhado que o fez sair do torpor e, depois, generoso golo da garrafa que uma caixa na estante ocultava e cujo segredo ela não hesitou em partilhar face à urgência, fomos lê-lo e dizia: “Meu amor, meu mais tudo, Fernando vate da minha vida: está cá em casa um frade, o Frei, e estou quase a converter-me pois os seus argumentos são poderosos e eu sou somente uma fraca pecadora. Ou arranjas um heterónimo à altura ou professo votos e tens de arranjar outra musa. Ofélia”

Ela leu, olhou para ele, ainda pálido e sem os óculos, que estava sentado à secretária com a cabeça entre mãos murmurando “- ele… ele não, por favor…”, e proferiu a sua opinião que soou como se de impiedosa sentença se tratasse: “- Ó filho, Fernandinho: já sabes que para o vaudeville podes contar comigo, e para o can-can também que até gosto. Agora para escreveres ordinarices e ainda por cima com padres à mistura, aqui a Françoise não atura taras artísticas a ninguém. Comigo, assim, não rimas. Fica-te lá com a tua Ofélia”

(crónicas secretas do Frei, volume da belle époque)

segunda-feira, abril 25, 2005

00:00

Latitas!!!!

domingo, abril 24, 2005

Abril

Amina, 29 anos, Afeganistão, apedrejada. Abril. E tantos que faltam ainda, daqueles como o nosso prometeu mas depois descarrilou, Abril de mentalidades. É urgente, Amina morreu ontem

25 de Abril

Dia de discursos, dia em que os escritores se espraiam em penas inspiradas, loatórias, outros discursos em trocadilhos que contam e festejam a data. Debalde, eles estão gastos. Não há trocadilhos possíveis porque esgotaram-se porque houve um escritor que os gastou, usando, criando, o trocadilho que tudo diz num zê no lugar dum cê, vinte e zinco e não vinte e cinco.
O zinco na cobertura das casas não terminou a vinte e cinco, e seis, e sete, ele é tão perpétuo como a sinfonia das gotas de chuva que caiem nas palhotas e nas barracas em zinco cobertas, fazendo-o soar como trovão de protesto, martelar no zinco, bateria de sons, Abril, Abril, vinte e cinco, vinte e zinco, vinte e zinco do escritor. Letal, palavra letal, palavra de escritor que nos discursos do vinte e cinco não ouve a palavra zinco e dela se recorda quando ouve a chuva cair, sinfonia no zinco, e assim o escreve.
Obrigado pela frase, Mia. O meu Abril, o teu, o nosso, agradece e não o esquece, o zinco do vinte e cinco, zinco.

Lembrando Pink Floyd

Não tenho tempo para viver mais como formiga, não tenho tempo, gasto-o a viver assim e ele é curto. Não tenho tempo para ler jornais, tempo para comer, tempo para trabalhar, o tempo falta-me quando o único que é útil e sinto-o ao segundo é quando encho folhas em branco, escrevo, copulo o meu prazer.
Não me interessa nada que vá fora de mim e dos pensamentos que escrevo, não tenho fome e às vezes nem sono, não quero sair à rua nem trabalhar, largar este caderno onde escrevo, respiro. Não me incomodem, deixem-me no meu canto, não me peçam gráficos nem paredes de tijolo, árvores podadas ou ruas varridas. Não me interessa, não tenho tempo, ele é tão pouco e eu só quero escrevê-lo.

As caras

Caras de merda, as caras da manhã. Tensas, mal acordadas e já tensas como se o acordar fosse doloroso (é-o?) e viver o dia um duelo constante com o perigo em cada segundo que vem no viver que renasce. Caras de merda que pedem uma bica e olham com desconfiança a cara do lado, caras de merda também, a cidade nasce para o dia e para o empurra e chega p'ra lá que este canto é meu. Seus caras de merda, logo de manhã...

Crítica de cinema

ir ao cinema sem sair de casa, melhor dizendo do blogue. E um filme a ver, haja oportunidade.

sábado, abril 23, 2005

A máquina disse não à eutanásia

... e recusou-me a entrada no sitema uma e mais vinte vezes, nunca me permitiu acesso à casa de máquinas. Porque leu a minha intenção de fechar o tasco, guardar os links todos no bolso, bem aconchegados, e deixar o bar aberto às existências. Daí o Blogger passou a pedir-me documentos de que nunca antes se lembrara, usernames e chaves, e eu com um chaveiro que se mostrou curto. Embora tenha feito tudo o que lá está como possível, fiquei com capacidades iguais às do leitor do blogue, com a discreta caixa de comentários para funcionar como aviso da situação e, já quase, como ensaio para posts. O seu sistema de ajuda virtual, Blogger, até ao momento mandou-me um mail com uma circular, ilegível para quem quer uma lata de feijão branco e tem um supermercado todo para escolher, tendo de ler os róstulos todos e sem banda desenhada para auxiliar.
Depois lembrei-me deste 'Xicuembo', que criara para blogue de ensaios e que em má hora dele não me lembrei quando pus-me a fazer as avarias que deram no massacre que toda a existência levou, quando lhe mudei a roupa. Portanto neste digo e conto que aquele acabou, o mesmo nome e este com a farda velha diz que o outro perdeu a graça, acabou. Incialmente a ideia era só um outro blogue, específico para um projecto, mas este, agora recuperado porque nunca lembrado antes de me pôr a fazer experiências com passwords, este fica, já agora..., de portas abertas e com a mesa limpa.
Agora vou ao 'velho' Xicuembo 2, caixa de comentários do último post, divulgar o link para a leitura deste esclarecimento. Até um dia destes.

quinta-feira, abril 21, 2005

Qualidade

Clara Ferreira Alves, António Lobo Antunes.
Em comum, as melhores canetas de Portugal.

(à falta de tema original)

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